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Home » Poesias Domingo, 26 de Maio de 2019







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A palavra
por: Carlos Pena Filho

Navegador de bruma e de incerteza,
Humilde me convoco e visto audcia
E te procuro em mares de silncio
Onde, precisa e lmpida, resides.

Frgil, sempre me perco, pois retenho
Em minhas mos desconcertados rumos
E vagos instrumentos de procura
Que, de longnquos, pouco me auxiliam.

Por ver que s claridade e superfcie,
Desprendo-me do ouro do meu sangue
E da ferrugem simples dos meus ossos,
E te aguardo com loucos estandartes
Coloridos por festas e batalhas.

A, reno a argcia dos meus dedos
E a preciso astuta dos meus olhos
E fabrico estas rosas de alumnio
Que, por serem metal, negam-se flores
Mas, por no serem rosas, so mais belas
Por conta do artifcio que as inventa.

s vezes permaneces insolvel
Alm da chuva que reveste o tempo
E que alimenta o musgo das paredes
Onde, serena e lcida, te inscreves.

Intil procurar-te neste instante,
Pois muito mais que um peixe s arredia
Em cardumes escapas pelos dedos
Deixando apenas uma promessa leve
De que a manh no tarda e que na vida
Vale mais o sabor de reconquista.

Ento, te vejo como sempre foste,
Alm de peixe e mais que saltimbanco,
Forma imprecisa que ningum distingue
Mas que a tudo resiste e se apresenta
Tanto mais pura quanto mais esquiva.

De longe, olho teu sonho inusitado
E dividido em faces, mais te cerco
E se no te domino ento contemplo
Teus ps de visgo, tua vogal de espuma,
E sei que s mais que astcia e movimento,
Area esttua de silncio e bruma.