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Home » Poesias Domingo, 26 de Maio de 2019







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A triste partida
por:

Setembro passou, com oitubro e novembro
J tamo em dezembro.
Meu Deus, que de ns?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.

A treze do ms ele fez a experiena,
Perdeu sua crena
Nas pedra de s.
Mas nta experiena com gosto se agarra,
Pensando na barra
Do alegre Nat.

Rompeu-se o Nat, porm barra no veio,
O s, bem vermeio,
Nasceu munto alm.
Na copa da mata, buzina a cigarra,
Ningum v a barra,
Pois barra no tem.

Sem chuva na terra descamba janro,
Depois, feverro,
E o mrmo vero
Entonce o rocro, pensando consigo,
Diz: isso castigo!
No chove mais no!

Apela pra mao, que o ms preferido
Do Santo querido,
Senh So Jos.
Mas nada de chuva! ta tudo sem jeito,
Lhe foge do peito
O resto da f.

Agora pensando segui tra tria,
Chamando a famia
Comea a diz:
Eu vendo mau burro, meu jegue e o cavalo,
Ns vamo a So Palo
Viv ou morr.

Ns vamo a So Palo, que a coisa t feia;
Por terras aleia
Ns vamo vag.
Se o nosso destino no f to mesquinho,
Pro mrmo cantinho
Ns torna a vort.

E vende o seu burro, o jumento e o cavalo,
Int mrmo o galo
Vendro tambm,
Pois logo aparece feliz fazendro,
Por pco dinhro
Lhe compra o que tem.

Em riba do carro se junta a famia;
Chegou o triste dia,
J vai viaj.
A seca terrive, que tudo devora,
Lhe bota pra fora
Da terra nat.

O carro j corre no topo da serra.
Oiando pra terra,
Seu bero, seu l,
Aquele nortista, partido de pena,
De longe inda acena:
Adeus, Cear!

No dia seguinte, j tudo enfadado,
E o carro embalado,
Veloz a corr,
To triste, o coitado, falando saudoso,
Um fio choroso
Escrama, a diz:

- De pena e sodade, papai, sei que morro!
Meu pobre cachorro,
Quem d de com?
J to pergunta: - Mezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato,
Mimi vai morr!

E a linda pequena, tremendo de medo:
- Mame, meus brinquedo!
Meu p ful!
Meu p de rosra, coitado, ele seca!
E a minha boneca
Tambm l ficou.

E assim vo dexando, com choro e gemido,
Do bero querido
O cu lindo e azu.
Os pai, pesaroso, nos fio pensando,
E o carro rodando
Na estrada do Su.

Chegaro em So Paulo - sem cobre, quebrado.
O pobre, acanhado,
Percura um patro.
S v cara estranha, da mais feia gente,
Tudo diferante
Do caro torro.

Trabaia dois ano, trs ano e mais ano,
E sempre no prano
De um dia inda vim.
Mas nunca ele pode, s veve devendo,
E assim vai sofrendo
Tormento sem fim.

Se arguma notcia das banda do Norte
Tem ele por sorte
O gosto de uvi,
Lhe bate no peito sodade de mio,
E as gua dos io
Comea a ca.

Do mundo afastado, sofrendo desprezo,
Ali veve preso,
Devendo ao patro.
O tempo rolando, vai dia vem dia,
E aquela famia
No vorta mais no!

Distante da terra to seca mas boa,
Exposto garoa,
lama e ao pa,
Faz pena o nortista, to forte, to bravo,
Viv como escravo
Nas terra do su.